
Ferramentas
Planilha, grupo de WhatsApp ou software de preço: como escolher
Critérios objetivos para decidir como o seu posto vai acompanhar preço e margem, incluindo o que a planilha resolve, onde ela...
Custos
Ceder centavo na bomba é decisão de investimento, não gesto de simpatia. O problema é que quase ninguém faz a conta antes, e ela leva menos de um minuto.
Um centavo parece pouco na placa, mas vira dinheiro relevante quando é multiplicado pelo volume mensal de cada produto. A conta ajuda a decidir se a redução tem chance de trazer volume suficiente ou se apenas reduz a margem do posto.
O custo do desconto no litro começa por uma fórmula simples:
Custo mensal do desconto = desconto por litro × volume mensal vendido
Para aprofundar: como escolher a ferramenta de preço do posto.
Se o posto vende 120 mil litros por mês de um produto, ceder R$ 0,01 por litro reduz o faturamento bruto daquele produto em R$ 1.200 no mês.
| Desconto no painel | Volume mensal | Redução mensal de receita |
|---|---|---|
| R$ 0,01 por litro | 120.000 litros | R$ 1.200 |
| R$ 0,03 por litro | 120.000 litros | R$ 3.600 |
| R$ 0,05 por litro | 120.000 litros | R$ 6.000 |
| R$ 0,10 por litro | 120.000 litros | R$ 12.000 |
Portanto, para quem pergunta quanto perco baixando o preço do combustível em cinco centavos, a primeira resposta é direta: em 120 mil litros mensais, são R$ 6 mil a menos antes de considerar qualquer ganho adicional de volume.
Essa conta se aplica quando a redução vale para todo o volume vendido naquele preço. Se a promoção durar só alguns dias, use o volume previsto do período, não o volume do mês inteiro.
Também vale separar produtos. Gasolina comum, gasolina aditivada, etanol e diesel têm volumes, custos e margens diferentes. Usar uma média da pista pode esconder onde está a perda real.
Para avaliar a decisão, não basta olhar o preço do concorrente. É preciso saber qual margem de contribuição sobra por litro depois dos custos variáveis da venda.
Na prática, a conta deve considerar:
O resultado é a margem disponível por litro. Ela é a margem usada para pagar despesas fixas, remunerar a operação e gerar resultado.
Se a margem atual é R$ 0,20 por litro e o posto reduz R$ 0,05 no painel, a margem não cai apenas “um pouco”. Ela passa, em princípio, para R$ 0,15 por litro, antes de verificar se o mix de pagamento mudou.
Isso explica por que uma redução aparentemente pequena pesa mais em produtos de margem apertada. O desconto consome uma parcela maior da margem que já existia.
A pergunta seguinte é: quanto preciso vender a mais para empatar?
A fórmula simplificada é:
Volume adicional necessário = perda no volume atual ÷ nova margem por litro
Ou, escrevendo de outra forma:
Volume adicional necessário = (desconto × volume atual) ÷ (margem atual por litro menos desconto)
Essa fórmula funciona como estimativa quando o litro adicional tiver o mesmo custo e as mesmas condições de pagamento do litro vendido hoje. Se o cliente extra vier por crédito, aplicativo ou convênio, ajuste a nova margem com esses custos.
Considere um produto com estes dados:
A perda no volume que já seria vendido é:
R$ 0,05 × 120.000 = R$ 6.000
Depois do desconto, a margem passa de R$ 0,20 para R$ 0,15 por litro. Para recuperar R$ 6 mil com essa nova margem:
R$ 6.000 ÷ R$ 0,15 = 40.000 litros adicionais
Ou seja, o posto precisaria vender 40 mil litros a mais no período para empatar nessa conta simplificada. Não é suficiente vender “um pouco mais”. É preciso medir se esse acréscimo é plausível para aquela loja, naquela praça e naquele prazo.
Veja o mesmo desconto de R$ 0,05 sobre 120 mil litros:
| Margem antes do desconto | Margem após desconto | Volume adicional para empatar |
|---|---|---|
| R$ 0,30 por litro | R$ 0,25 por litro | 24.000 litros |
| R$ 0,20 por litro | R$ 0,15 por litro | 40.000 litros |
| R$ 0,12 por litro | R$ 0,07 por litro | cerca de 85.700 litros |
| R$ 0,08 por litro | R$ 0,03 por litro | 200.000 litros |
O erro comum é calcular a perda de R$ 6 mil e imaginar que ela será recuperada com poucos litros extras. Quando a margem restante é baixa, cada litro novo contribui pouco para cobrir o valor cedido ao volume antigo.
Se a nova margem chegar a zero ou ficar negativa, não existe volume adicional que resolva a conta. Nesse caso, vender mais amplia a perda por litro.
Essa simulação já vem pronta em a sugestão de preço com efeito em reais da Placarua.
A decisão de baixar preço precisa ser tomada por produto, não apenas pela sensação de movimento na pista. Ceder cinco centavos na gasolina de maior giro pode custar mais do que ceder o mesmo valor em um produto com venda menor.
Imagine dois produtos no mesmo período:
| Produto | Volume mensal | Margem atual | Desconto | Perda sobre o volume atual |
|---|---|---|---|---|
| Produto A, maior giro | 120.000 litros | R$ 0,18 por litro | R$ 0,05 | R$ 6.000 |
| Produto B, melhor margem | 35.000 litros | R$ 0,35 por litro | R$ 0,05 | R$ 1.750 |
No Produto A, a redução atinge muito mais litros e deixa apenas R$ 0,13 de margem para cada litro adicional. No Produto B, a perda total é menor e a margem remanescente permite recuperar o valor com menos pressão sobre o volume.
Isso não significa que o produto de maior giro nunca deve acompanhar a rua. Pode haver risco de perda de fluxo, reação de concorrentes ou necessidade de manter coerência da placa. O ponto é não tratar os dois produtos como se um centavo tivesse o mesmo efeito financeiro.
Antes de decidir, compare três números para cada combustível: volume esperado, margem após o desconto e litros adicionais necessários para empatar. A placa pode ter um preço por produto, mas a decisão precisa ter uma conta por produto.
Desconto no Pix e desconto no crédito não custam a mesma coisa porque o posto não recebe o mesmo valor líquido nem no mesmo prazo.
No crédito, normalmente há taxa da adquirente e prazo de recebimento, salvo se houver antecipação. No Pix, podem existir custos contratados com a instituição financeira, mas a estrutura costuma ser diferente. As condições variam conforme banco, adquirente, volume, contrato e modalidade de recebimento.
Para colocar isso na conta, transforme o custo de pagamento em reais por litro.
Se a venda no crédito tem custo maior que a venda no Pix, um desconto idêntico no painel pode deixar margens líquidas diferentes. Se o preço promocional vale apenas no Pix, a comunicação na pista e no sistema deve estar clara para evitar divergência no caixa e questionamentos do consumidor.
O prazo também merece atenção. Receber dias depois tem efeito no caixa, especialmente quando o fornecedor, folha, tributos e despesas vencem antes. O custo financeiro depende da realidade do posto, da taxa de capital e das condições contratadas. Não use uma taxa genérica, use a referência financeira da própria empresa.
O desconto de painel raramente está sozinho. Ele pode ser combinado com clube de vantagens, aplicativo, cashback, cupom, convênio de frota, condição comercial para empresa ou diferença de preço por meio de pagamento.
O risco não é apenas conceder dois descontos. É não saber quem absorve cada parte deles.
Faça uma conferência diária ou por campanha:
Leitura complementar: pesquisa de preço na moto ou monitoramento diário.
Se o aplicativo promete reembolso, confirme se ele é integral, parcial, condicionado a metas ou pago em data futura. Reembolso previsto não deve ser tratado como dinheiro já recebido.
A correção mais prática é montar uma linha por produto e modalidade de venda. O objetivo é chegar ao preço líquido recebido, não apenas ao preço que aparece na placa.
Você não precisa esperar o fechamento mensal para testar uma alteração de preço. Com os dados organizados, a rotina pode ser feita antes da mudança do painel.
Separe o último custo de carga aplicável, o preço atual, o volume médio diário ou mensal por produto e os custos de pagamento. Se houver estoque de cargas diferentes, use o critério de custo adotado pela gestão e mantenha consistência.
Em uma planilha, crie estas colunas:
| Produto | Preço atual | Novo preço | Margem atual | Volume previsto | Perda no volume atual | Nova margem | Litros extras para empatar |
|---|
A fórmula é simples, mas o dado precisa estar correto. Erros frequentes incluem usar custo antigo de compra, esquecer taxa de cartão, misturar litros de vários produtos e considerar como venda nova um cliente que já abasteceria no posto.
Acompanhe o resultado depois da mudança. Compare o volume realizado com o volume que seria necessário para compensar o desconto, sempre observando o mesmo dia da semana, feriados, sazonalidade e movimentos específicos da cidade. Se o ganho de volume não apareceu, a redução deve ser revista rapidamente.
Baixar cinco centavos por litro em 120 mil litros representa R$ 6 mil cedidos no volume atual. Para saber se a decisão faz sentido, calcule a margem líquida depois do desconto, inclua pagamento e prazo, e descubra o volume necessário para compensar desconto antes de trocar o preço do painel.
A Placarua organiza o preço dos concorrentes, o custo da última carga e o efeito estimado de uma nova decisão de preço no lucro do dia. Para avaliar essa rotina na realidade da sua rede ou posto, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do Placarua.
Na hora de mudar o painel, a diferença entre preço atual e preço sugerido aparece em reais no lucro do dia, com o volume necessário para compensar cada centavo cedido.
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